A ANEPF realizou, em seu grupo oficial de WhatsApp, uma enquete interna rápida para ouvir os Escrivães de Polícia Federal sobre um ponto que tem sido objeto de análise institucional recente:
➡ Afinal, conhecimentos técnicos específicos de Arquivologia ou Arquivística aparecem, de forma efetiva, na prática cotidiana do EPF? 🤔⁉
A pergunta apresentada aos colegas foi objetiva:
“Na sua atuação prática como EPF, você já precisou aplicar conhecimento técnico específico de Arquivologia/Arquivística — além da simples organização, juntada ou localização de documentos no sistema?”
A enquete foi realizada em grupo oficial da ANEPF no WhatsApp, composto por 192 participantes, entre EPFs da ativa e aposentados. Foram registradas 56 respostas, o equivalente a aproximadamente 29% do grupo.
Entre os respondentes, 55 afirmaram que não aplicaram conhecimento técnico específico de Arquivologia ou Arquivística na atuação prática como EPF. Apenas 1 participante indicou uso pontual. Nenhum relatou uso relevante.
Em termos percentuais, aproximadamente 98% dos respondentes não identificaram aplicação prática específica da Arquivologia técnica na rotina funcional, enquanto cerca de 2% indicaram uso apenas pontual.
A enquete não tem pretensão científica nem substitui pesquisa amostral estruturada. Trata-se de um levantamento interno, rápido e voluntário, realizado no ambiente de comunicação da entidade. Ainda assim, o resultado oferece um sinal relevante da percepção prática da base e ajuda a corroborar diagnóstico já apresentado pela ANEPF em publicações recentes: há um descompasso entre parte do conteúdo cobrado no concurso e a realidade atual do cargo de Escrivão de Polícia Federal.
O único colega que respondeu afirmativamente complementou sua resposta com um exemplo concreto. Segundo ele, utilizou conhecimento relacionado à classificação de documentos para destruição, em contexto de documentos físicos. Ainda assim, relatou que precisou buscar modelos de outras unidades e informações na internet, e que se tratou de uma situação única.
O relato confirma o caráter pontual e residual desse tipo de aplicação. A Arquivologia clássica, quando aparece na rotina, parece estar vinculada a situações excepcionais e associadas ao antigo modelo físico de documentação — não a uma competência central, cotidiana ou estruturante da atuação contemporânea do EPF.
Esse ponto é relevante especialmente porque, no concurso público de 2025, Arquivologia representou 10 questões em uma prova objetiva de 120 questões.
A Polícia Federal, no entanto, já vive outra realidade. O antigo SISCART foi substituído pelo ePol. O antigo NUCART deu lugar ao NUPROC. Os procedimentos são eletrônicos. As oitivas são cada vez mais audiovisuais, inclusive por força normativa. A tramitação é digital. Os atos são produzidos, assinados, juntados, autenticados e preservados em ambiente informatizado.
Isso não significa que temas como documentação, informação pública, sigilo, preservação de registros, segurança de dados ou governança documental sejam irrelevantes. Ao contrário: esses assuntos são cada vez mais importantes. O problema está no contexto da cobrança.
Na realidade atual da Polícia Federal, esses conteúdos precisam estar conectados a sistemas policiais, documentos eletrônicos, metadados, controle de acesso, rastreabilidade, segurança da informação, LAI, LGPD, sigilo investigativo, cadeia de custódia digital, interoperabilidade entre sistemas e preservação da integridade dos atos praticados em ambiente eletrônico.
A discussão, portanto, é sobre como cobrar melhor esse conhecimento na prova objetiva.
A enquete sobre Arquivologia reforça uma pauta institucional mais ampla, já tratada pela ANEPF nas publicações recentes sobre o concurso de 2025 e sobre os 14 anos da entidade: a necessidade de modernizar o cargo de Escrivão de Polícia Federal e alinhar nomenclatura, atribuições, conteúdo programático e formação à realidade atual da Polícia Federal.
A retirada da prova prática de digitação neste último concurso de 2025 demonstrou que a modernização é possível quando há diálogo institucional, insistência técnica e reconhecimento de que determinadas exigências deixaram de refletir a essência do cargo.
Com a Arquivologia clássica, a conclusão lógica é semelhante: 1) o que ainda for útil deve ser preservado, atualizado e cobrado no contexto adequado; 2) o que não corresponde mais à realidade funcional do cargo deve ser revisto.
Modernizar o conteúdo programático é qualificar a exigência, é selecionar policiais federais mais preparados para a Polícia Federal que existe hoje — digital, integrada, tecnológica, orientada por dados, comprometida com a legalidade e submetida a exigências cada vez maiores de segurança jurídica, eficiência, governança e preservação da prova.
Brasília, 14/05/2026.
Brasília, 14/05/2026.
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