quarta-feira, 17 de abril de 2019

ANEPF divulga resultado final da Pesquisa 1/2019

A Associação Nacional dos Escrivães de Polícia Federal divulga a seus associados o resultado final da Pesquisa 1/2019 ANEPF.

A pesquisa foi realizada no período de 09 a 17 de Abril de 2019, e teve uma amostra validada de 211 respondentes espalhados por todo o Brasil (cerca de 12% do total de policiais da categoria na ativa, segundo dados da Diretoria de Gestão de Pessoal), dentre associados e não associados, e dentre servidores da ativa e aposentados.

O foco da pesquisa foi avaliar o sentimento da base da categoria a respeito da proposta de lei orgânica da Polícia Federal, que foi transmitida do ex-diretor geral Rogério Galloro ao novo DG Mauricio Valeixo durante a transição de comando (https://bit.ly/2VR0Z7x), bem como o parecer jurídico encomendado pela FENAPEF a respeito das possibilidades de unificação dos cargos de Agente, Escrivão e Papiloscopista da PF (http://fenapef.org.br/comunicado-no-005-2019-jur-fenapef/).

As principais conclusões da pesquisa foram as seguintes:

1) A grande maioria dos respondentes (~83%) é contra a proposta de separação dos cargos em CARREIRAS, o que se fosse implementado contrariaria a previsão do art. 144 da Constituição Federal e desvincularia eternamente os cargos da carreira, impossibilitando, inclusive, qualquer vinculação salarial futura. Os EPFs demonstram nitidamente serem favoráveis ao alinhamento dos cargos “em carreira” (no singular), e com vinculação salarial entre os cargos.


2) A maioria, mais de 2/3 dos respondentes (73,9%), somente se posiciona a favor da autonomia orçamentária da PF no caso da manutenção do termo “carreira” no singular (carreira única), para que possa haver vinculação salarial entre os cargos da carreira. 


3) À luz do parecer jurídico encomendado pela FENAPEF, que aponta, em alguns cenários, a necessidade da divisão por “especialidades” do novo cargo "OPF" (este, oriundo da unificação dos cargos da carreira policial federal), a grande maioria (~82%) dos respondentes considerou mais viável a unificação apenas dos cargos de agente e escrivão.


4) Em perfeita harmonia com o que já havia sido identificado na enquete 1/2018 ANEPF, observa-se que a esmagadora maioria dos respondentes (~92%) é a favor da transformação do cargo de escrivão de polícia federal, com atribuições de nível superior e com foco na atividade-fim (investigação), repassando as atividades cartorárias para os agentes administrativos.


5) Grande parte dos respondentes (~76%) estaria disposto a participar de eventos coordenados nacionalmente pela ANEPF para demonstrar o descontentamento com o tratamento que a categoria vem recebendo da administração com relação à urgente necessidade de transformação do cargo de escrivão de polícia federal, como já apontado em inúmeras enquetes anteriores, problema que vem se agravando a cada ano.



A Diretoria da ANEPF destaca a importância deste tipo de levantamento junto à base, que é o melhor termômetro para aferir o clima organizacional, o grau de insatisfação dos policiais e identificar quais são seus principais anseios profissionais.

O relatório completo da pesquisa, inclusive com as considerações finais e sugestões apontadas por esta Diretoria, pode ser baixado neste link: https://bit.ly/2IsLak8

Diretoria ANEPF
Brasília, 17 de Abril de 2019.

terça-feira, 19 de março de 2019

Um modelo de excelência de polícia


Todas as polícias do mundo adotam a carreira policial com ENTRADA ÚNICA pela base (infelizmente o Brasil ainda é uma exceção a essa regra).

Nos Estados Unidos, por exemplo, não existe concurso para chefe. Só chega a uma posição de comando quem realmente faz por merecer. Veja mais um exemplo abaixo.

Regina Scott, natural de Nova Jersey, que inclusive serviu no Exército dos Estados Unidos, foi nomeada para o posto de vice-chefe (Deputy Chief) da Polícia de Los Angeles (LAPD), após 31 (TRINTA E UM ANOS) anos no departamento. (grifo nosso)

Regina ingressou na LAPD em 1987 e trabalhou em vários cargos, em várias tarefas, trabalhou para diferentes departamentos policiais, até chegar onde chegou.

Nós da ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS ESCRIVÃES DE POLÍCIA FEDERAL damos os nossos sinceros parabéns à experiente policial americana (@LAPDReginaScott) pela honrosa conquista!

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#Unificação
#Meritocracia
#Multidisciplinaridade
#Desburocratização

segunda-feira, 18 de março de 2019

Digitalização dos inquéritos e modernização da investigação policial

VAMOS COMEÇAR A SEMANA COM UM MAIS UM "SOCO NA CARA"?



Essa iniciativa de "digitalizar os inquéritos", como querem fazer por aí, de nada vai adiantar na modernização da investigação.

Segundo nosso professor Policial Federal Scandiuzzi (https://facebook.com/PolicialFederalScandiuzzi/): "inquérito não é investigação de verdade".


Se não mudarmos a forma de se investigar, ou seja, se continuarmos mantendo todas as investigações passando na mão dos delegados das polícias investigativas (ponto de burocracia e gargalo), nunca sairemos da "estaca zero".

As investigações reais existem nas operações, como na Lava-Jato, por exemplo, com técnicas reais de investigação.

Precisamos de CICLO COMPLETO DE POLICIA, como nas polícias norte-americanas e europeias (e por que não dizer também nas chilenas, como na Policía de Investigaciones de Chile, com 96% de taxa de resolução de homicídios?).

Precisamos da UNIFICAÇÃO DOS CARGOS dentro das polícias investigativas (não há mais espaço para cargos policiais burocráticos).

Precisamos de DESBUROCRATIZAÇÃO do modelo de investigação.

Precisamos também de ENTRADA PELA BASE da carreira (sem esse negócio de "concurso para chefe").


#CarreiraPolicial
#EntradaUnica
#PolicialDeCicloCompleto
#Unificação
#Meritocracia
#Multidisciplinaridade
#Desburocratização
#AposentadoriaPolicial

DIRETORIA ANEPF

sábado, 9 de março de 2019

Nota ANEPF - 09/03/2019

Nota ANEPF
Brasília, 09/03/2019



A Associação Nacional dos Escrivães de Polícia Federal – ANEPF – mais uma vez vem a público externar as mazelas do nosso sistema de segurança pública. Nesta oportunidade, especialmente provocada por uma norma interna da Polícia Federal (PF) que afeta diretamente o exercício funcional dos seus associados.

Na véspera do feriado de Carnaval, a Corregedoria-Geral da Polícia Federal publicou a Orientação Normativa nº 002, destinada aos Delegados de Polícia Federal. Tal orientação é só mais um exemplo da gradual “apropriação” da nobre instituição Polícia Federal pelos detentores do cargo de delegado.

Tal orientação segue a trilha já conhecida de repasse do trabalho sem repassar também o mérito e o reconhecimento pelo seu exercício. Mais um exemplo do ”posar para foto com o peixe do outro”.

A orientação traz “inovações” para a realização de oitivas de suspeitos e testemunhas. Dentre essas inovações está a não necessidade da presença do delegado. O escrivão ou os demais policiais federais farão o trabalho dos delegados à distância. Até operar equipamentos de informática para que a tal “magia” aconteça os escrivães terão que fazer.

Próximo passo é os flagrantes serem realizados pelos policiais federais sem a presença dos delegados. Estes estarão à distância orientando os trabalhos para depois assinar o que foi feito para dar “validade”. Ou seja, a Polícia Federal continua à sombra das polícias civis estaduais. Ao invés de exercer com excelência as atribuições conferidas pela Constituição Federal, se concentra em ser apenas a Polícia Judiciária da União. Por que será?

Importante ressaltar que, até o presente, os policiais federais não possuem atribuições legais. Isso é muito grave e vem sendo constantemente, ao longo de décadas, externado pelas representações dos cargos policiais à Administração e aos representantes políticos, a fim de resolver definitivamente a questão, mas sem sucesso.

A situação atual favorece aos que se apropriaram da polícia. Na ausência de lei, os delegados, através de normativos internos emitidos, principalmente pelas corregedorias, chefiadas por delegados, se empoderaram e, assim, se apoderaram da Polícia Federal. O quão forte é esse lobby?

Além da ausência de atribuições legais para os cargos da Carreira Policial Federal, carreira única segundo a carta magna, que são cinco atualmente: Delegado de Polícia Federal, Escrivão de Polícia, Agente de Polícia Federal, Perito Criminal Federal e Papiloscopista Policial Federal; até hoje não existe lei regulamentando o que o Constituinte de 1988 estabeleceu para a PF. A carreira não prevê promoções e a divisão em verdadeiras castas produz uma verdadeira guerra interna com crises permanentes.

É urgente a sociedade ser informada o que se passa nos bastidores da PF, longe dos holofotes das grandes operações, das atividades desenvolvidas por policiais federais anônimos, visto que são atribuições não regulamentadas em lei. 

A Polícia Federal é patrimônio da nação brasileira, é responsável pelo policiamento das nossas fronteiras, a chamada polícia de soberania, incluindo as funções de polícia marítima e aérea. Exerce funções diversas de polícia administrativa, incluindo fiscalização e controle de diversas áreas estratégicas para o nosso país. Apesar disso, até hoje a Polícia Federal tem a estrutura organizacional semelhante as das polícias civis estaduais, privilegiando a atribuição de polícia judiciária, que alavanca o cargo de delegado.

Nós, da ANEPF, estamos lutando para que a Polícia Federal seja grande e possa prestar o serviço público que a nossa sociedade tanto almeja e merece. Isso não será feito através de modelos anacrônicos, de investigações "cartorizadas" e ineficientes, de policiais desmotivados, de manipulação de dados, de velhas fórmulas com novas roupagens, mas sim através de uma carreira forte, profissionalismo forjado pela técnica e ciência policiais, gestão por competências, meritocracia e modelos funcionais e comprovadamente eficientes.

DIRETORIA ANEPF

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

A TRANSFORMAÇÃO DOS CARGOS E REENQUADRAMENTO NA CARREIRA POLICIAL FEDERAL E OS APOSENTADOS E PENSIONISTAS



A TRANSFORMAÇÃO DOS CARGOS E REENQUADRAMENTO NA CARREIRA POLICIAL FEDERAL E OS APOSENTADOS E PENSIONISTAS.
O Departamento de Polícia Federal e as respectivas entidades de classes que compõem os cinco cargos da Carreira Policial Federal vem realizando há durante anos um importante e profundo debate acerca da unificação, ou não, dos cargos de Agente de Polícia Federal, Escrivão de Polícia Federal e Papiloscopista Policial Federal para transformação em um novo cargo sob nova denominação.
Essa mudança de cargos opera-se juridicamente através de um Instituto Jurídico de Direito Administrativo chamado de TRANSFORMAÇÃO de cargos.
A Transformação de cargo público pressupõe a existência da lei, e se dá pela extinção do cargo anterior e a criação do novo. Podem ser providos por concurso ou por simples enquadramento dos servidores já integrantes do antigo cargo, mediante apostila de seus atos de nomeação
A discussão sobre a unificação dos cargos e a transformação no cargo de Oficial de Polícia Federal teve início no ano de 2014 com a criação de um grupo de trabalho conhecido como GT das Atribuições.
Atualmente, essa discussão ganhou considerável intensidade diante do anúncio do novo Diretor Geral do DPF da elaboração da Lei Orgânica da Polícia Federal a ser encaminhada ainda este ano de 2019 ao Congresso Nacional para discussão, votação e sanção pelo Presidente da República.
Os debates e as reflexões realizados mais recentemente apontaram para importantes ganhos de racionalização administrativa e fortalecimento institucional com a concretização da transformação dos cargos de Agente, Escrivão e Papiloscopista no novo cargo de Oficial de Polícia Federal; b) para a superação dos óbices jurídicos apresentados contra o processo de transformação; c) para a necessidade de se resguardar situações funcionais consolidadas no tocante a promoções, remoções e atuações especializadas e e) para o destaque a ser dado a situação dos inativos e pensionistas na perspectiva de garantir a ausência de qualquer prejuízo no processo.
Como é comum entre os policiais, os debates foram (e são) acirrados e os argumentos são apresentados e sustentados com eloquência e energia. Observa-se, entretanto, por parte dos segmentos contrários à transformação a aposta na criação de um clima de medo com a projeção de cenários de prejuízos para subconjuntos de policiais. Cumpre destacar que o medo é um dos mais primitivos sentimentos humanos e pode ser particularmente devastador na ação política.
São vários os exemplos nacionais e internacionais nesse campo. Um dos principais medos, não o único construído e disseminado no contexto dos debates acerca da transformação dos cargos, envolve os aposentados e pensionistas dos atuais cargos de Agente, Escrivão e Papiloscopista. Argumenta-se que os inativos e pensionistas podem, nesse processo de transformação, perder a integralidade (percepção de proventos e pensões iguais à totalidade da remuneração do servidor no cargo efetivo em que se deu a aposentadoria ou falecimento) ou a paridade (concessão dos aumentos e reajustes atribuídos aos servidores ativos aos proventos e pensões).
Observando as dúvidas e o medo de vários colegas policiais federais aposentados ou muito próximos da aposentadoria, busquei analisar essa questão com o devido cuidado.
Concluí, depois de estudar as normas constitucionais (bloco de constitucionalidade), as leis definidoras de recentes transformações de cargos na Administração Pública Federal, textos doutrinários e a palavra de especialistas, que o receio de prejuízo não é algo plausível.
Com efeito, é possível afirmar, com segurança, que os aposentados e pensionistas com direitos à integralidade e à paridade, por força do texto constitucional original ou das regras de transição das Emendas Constitucionais n. 20/1998, n. 41/2003 e n. 47/2005, são titulares desses direitos constitucionais, inclusive diante da transformação dos cargos efetivos anteriormente ocupados.
Por conseguinte, por lei infraconstitucional não é possível (no sentido de não ser juridicamente válido) retirar ou suprimir direitos expressamente previstos em normas
constitucionais.
A aludida Emenda Constitucional n. 41, de 2003, por exemplo, garante, em suas regras de transição, especificamente no parágrafo sexto do art. 2o, os direitos à integralidade e à paridade para os aposentados e pensionistas por conta da manutenção da vigência da redação anterior do parágrafo oitavo do art. 40 da Constituição. Esse dispositivo do Texto Maior definia expressamente a paridade com os ativos mesmo nas hipóteses de transformação ou reclassificação.
Na mesma linha, dispõe o art. 3º da Emenda Constitucional n. 47, de 2005, que garantiu a fruição da aposentadoria com integralidade e paridade aos servidores que ingressaram no service público até a data da publicação da Emenda Constitucional n. 20, de 1998, ou seja, até 16 de dezembro de 1998.
Ademais, não se tem notícia de nenhuma transformação de cargos na Administração Pública Federal com prejuízos para a integralidade e paridade dos aposentados e pensionistas. Não aconteceu nada parecido com isso: a) na criação, por transformação de cargos, da carreira de Procurador Federal (Medida Provisória n. 2.229-43, de 2001); b) na transformação dos Assistentes Jurídicos em Advogados da União (Lei n. 10.549, de 2002) e c) na transformação dos cargos de Auditores-Fiscais da Receita Federal e da Previdência Social (Lei n. 11.457, de 2007).
Nesse último caso, as carreiras extintas possuíam e possuem milhares de aposentados e pensionistas. Vale transcrever a regra legal expressa de reafirmação dos direitos dos inativos e pensionistas das carreiras de fiscalização fazendária: “o disposto neste artigo aplica-se aos servidores aposentados, bem como aos pensionistas” (art. 10, parágrafo segundo, da Lei n. 11.457, de 2007).
Seria uma tentativa vil, extremamente frágil e inédita nos processos de transformação de cargos, tentar cassar os lídimos direitos constitucionais à integralidade e à paridade dos aposentados e pensionistas. Não parecem existir as mínimas condições políticas para o Governo ingressar numa aventura jurídica dessa magnitude. Uma eventual medida legal dessa natureza, claramente inconstitucional, atrairia fortíssimas resistências não só no âmbito da Advocacia-Geral da União mas de todo o Serviço Público e da Sociedade.
Tudo indica que o sentimento a ser alimentado pelos inativos e pensionistas é a esperança, e não o medo. Afinal, um cargo unificado, congregando todos os Agentes, Escrivães e Papiloscopistas policiais federais, reunirá muito melhores condições de obter, com muita mobilização e pressão, em patamar superior aos atuais cargos, ganhos remuneratórios até agora não experimentados, extensíveis aos aposentados e pensionistas.
Portanto, a preocupação de ataque aos direitos constitucionais dos inativos e pensionistas da carreira policial federal, no âmbito de um processo de unificação (transformação de cargos), não é algo plausível, tanto sob a ótica jurídica quanto sob a ótica política.
Fortaleza, 25 de janeiro de 2019.
Autor: Jean Monte Bastos
APF Aposentado
Advogado OAB/CE 16266 atuante com Especialização Lato Sensu em Direito Constitucional, Direito Civil e Direito de Processo Civil.

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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

"Estatística Jabuticaba"


"Estatística Jabuticaba"

Estatística é uma ciência fundada em cálculos matemáticos que representa dados referentes à frequência de ocorrência de eventos, através de observações coletadas ou experimentos de forma a quantificar um acontecimento ou possibilitar a previsão de fenômenos futuros, servindo de base para adoção de medidas de interesse do estudo realizado, bastante recorrente na Administração Pública.

A Administração Pública pode e deve se planejar com base nos dados estatísticos de forma a produzir conhecimento e estimar suas ações com planejamentos adequados e transparentes, proporcionando maior vazão às suas demandas de forma a coincidir com o interesse da sociedade, que percebe os dados através dos efetivos resultados, consoante com o art. 37 da Constituição Federal do Brasil que estabelece princípios norteadores que, dentre outros, destacam-se a impessoalidade e eficiência de forma a banir da administração a autopromoção e a falta de resposta estatal às mazelas que assolam a sociedade.

Com o passar dos anos a estatística tornou-se uma ferramenta de poder para burlar os objetivos da Administração Pública em se antecipar aos fatos e prever a forma de prestação de serviço mais adequada, corroborada com a necessidade de destaques classistas, de disputas internas de cargos, da necessidade de divulgação de dados independente de resultados reais, utilizando-se dessa ciência para status de poder, desvirtuando-a da finalidade de informação, que impregna órgãos como as instituições de segurança pública, através do estabelecimento de metas pelos Dirigentes, sem aferição do equilíbrio da quantidade com a qualidade.

As chefias perceberam que poderiam usar os dados estatístico para demonstrar “eficiência”, e o modismo de quantificar se alastrou nas repartições, delegacias, superintendências, que ao contrário do interesse em semear a paz social com o combate ao crime, resolveram demonstrar sua capacidade de operacionalidade através de índices de produtividade (quantidade de atos realizados) e não da efetividade desses atos, computando o número de operações, perícias realizadas, atendimentos, relatórios, acionamentos, intimações e não a quantidade de respostas satisfatórias ao cidadão que teve seu bem lesado.

Para aferição dessa assertiva, basta pegar uma Superintendência ou Delegacia que tenha o maior número de ações/operações em um ano e através de uma auditoria simples constatar quantos processos finalizaram com denúncias, ou quanto de entorpecente foi apreendido por ação ou quantas armas retiradas de circulação, ou qualquer outro parâmetro que constate a efetividade das ações da localidade “elite” em números contabilizados, que provavelmente serviu de orgulho para o brilhantismo das chefias e promoção do órgão, contudo, sem efeito social em afronta aos princípios constitucionais.

Isso demonstra que os números também podem ser manipulados a depender do interesse, fazendo com que a ciência exata se torne aliada da pessoalidade, com índices e fundamentos embasado no interesse classista ou pessoal, se tornando ferramenta de poder enquanto os mais necessitados naufragam na lama do crime.

Enquanto os órgãos implementam mecanismos de contabilização e se entopem de dados/índices desconexos de ações eficazes e se maquiam para divulgação, a sociedade tem de conviver com os números e gráficos da realidade, com cercas, vidros, arames, eletricidade, mudanças de horários, privações, enclausuramento, perdas, corpos, lesões de toda espécie, com crescente ascensão dos ponteiros do “criminômetro”.

Enquanto se envereda essa guerra de informações e vaidades, a falta de medidas eficazes impõem o pânico à população como subproduto, que consequentemente, mascara as soluções dos governantes, remetendo à necessidade de respostas concretas e efetivas de revisão de todo o sistema, combatendo o oportunismo e os interesses privados que precificam a segurança e a ordem pública, repassando à sociedade o preço da incompetência do estado, que apenas protege a parcela mais abastada da população, remediando seus efeitos sem atacar a causa da desordem pública, criminal e administrativa do estado em relação à segurança pública, maculando o Estado de direito democrático e favorecendo a desigualdade e a desestabilização social.

O Estado foi constituído devido à necessidade de ordenar a sociedade e oportunizar condições para o indivíduo poder exercer com plenitude sua cidadania e prover-se de alimentação, saúde, educação, lazer, segurança, proporcionando a elevação da estima e a realização pessoal que consequentemente reflete numa sociedade pacífica que previne e repele o crime e a desordem, propiciando o bem-estar e o progresso social com a regulação de fatores que evidenciem a segurança. Para tanto, necessita de controle, limitação das liberdades individuais, normas objetivas e eficazes, minimizando os riscos e construindo uma segurança pública sólida e confiável; ações que promovem o país mundialmente, para isso necessita voltar ao monopólio da segurança pública e não ficar refém de interesses classistas.

As autoridades dispõem dos mais variados estudos e exemplos de estruturas policiais no mundo que comprovam a evolução dos riscos e a necessidade de reestruturação da metodologia adotada na prevenção e investigação criminal brasileira. Tomando como referência o cenário de transformação na economia mundial, alavancado pela sofisticação tecnológica, a globalização, a transmutação do crime, impõe-se a necessidade de aprimoramento do serviço de inteligência para a prevenção e o combate à criminalidade regional e às vertentes globais como os grupos terroristas; o Brasil, em termos de horrores, não passa vergonha nas manchetes mundial em relação às atrocidades cometidas no cenário interno, que vão desde organizações politicamente articuladas e engajadas socialmente até às facções criminosas como PCC, CV, Sindicado do Crime e diversas outras siglas criminais estabelecidas no território nacional, muitas com características transnacionais, exigindo do Brasil respostas eficazes, combate uniforme e até cooperação internacional, que poderão ser bem articulados através dos dados estatísticos responsáveis.

Contudo, se utilizarmos os dois dados que mais trazem orgulhos para as instituições policiais: índices de operações realizadas pelas polícias, ou índice de inquéritos relatados, constataremos a falência dos órgãos de segurança, a falta de otimização da mão de obra, o isolamento das forças policiais na contramão das políticas internacionais, a falta de essencialidade do trabalho de inteligência, do compartilhamento do conhecimento para nortear as decisões, falta de um legislativo preventivo, investimentos insuficientes, imposição dos interesses privados em detrimento ao público, a desvirtuação da essência de Estado,  a necessidade  de reestruturação das diversas polícias com integração e mutualismo envolvendo o judiciário, a não independência investigativa, falta de políticas de complementariedade dos diversos conhecimentos produzidos voltada ao intercâmbio nacional e internacional com acordos direcionados ao combate uniforme à criminalidade.

Diante todo o exposto, sugere-se parcimônia e comedimento no estabelecimento dos critérios e aferições dos dados estatísticos, para de forma responsável a Administração poder se enxergar e responsavelmente estabelecer critérios para resguardar os direitos básicos com o vi reestabelecimento da ordem pública e da paz social, harmonizando a informação com a realidade vivenciada pelos oprimidos.

Autoria: ANEPF - Associação Nacional dos Escrivães de Polícia Federal
Dezembro/2018

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Faça sua doação à Associação Nacional dos Escrivães de Polícia Federal


Prezado cidadão brasileiro,

Desde o ano de 2009 a Associação Nacional dos Escrivães de Polícia Federal vem trabalhando em prol de uma ampla reforma na estrutura da segurança pública em nosso país.

A ANEPF defende uma estrutura de segurança pública mais moderna, mais efetiva, mais eficiente e eficaz, e menos burocrática para o povo brasileiro.

Você pode contribuir com o trabalho da Associação Nacional dos Escrivães de Polícia Federal e assim ajudar a acelerar este projeto.

Indivíduos e organizações podem efetuar doações, de forma única ou regular. Colabore para que possamos continuar fazendo a diferença.

Para fazer sua doação de qualquer valor, faça um depósito ou transferência bancária para a seguinte conta corrente:

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- Conta corrente: 1337-7
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- CNPJ: 17.040.150/0001-21

O comprovante do depósito ou da transferência deve ser sempre enviado para o e-mail anepf.comunicacao@gmail.com, e não deixe de informar também seu nome completo e seu CPF (e caso seja servidor da PF, também sua matrícula).

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